Propaganda
Você conhece a história da palavra propaganda? Ela vem do latim e entrou nas línguas modernas por causa da Igreja Católica. No século 17, o papa Gregório XV criou a Congregatio de Propaganda Fide, a congregação para propagação da fé. Por isso, o primeiro significado de propaganda é de propagação de ideias ou crenças. Em inglês, a palavra nunca perdeu esse sentido e tem uma conotação pejorativa – muito por causa da Guerra Fria. Na União Soviética, foi criado um Departamento de Agitação e Propaganda, conhecido pela abreviação Agitprop. Em russo, propaganda é isso: disseminar ideias; naquele contexto, as ideias comunistas. Na língua inglesa e especialmente nos Estados Unidos, propaganda é ruim, porque é a divulgação de informações carregadas de propósito político, sem imparcialidade, manipuladas ou mesmo falsas. Dá pra ver um pouco das diferenças ideológicas no uso de uma palavra, né.
Eu fiquei pensando em tudo isso quando lia o post da Srta Bia sobre caso Hope/Gisele. A essa altura, nem sobrou muito pra falar sobre o quanto os comerciais da Hope são machistas – talvez falte perguntar por que as marcas de roupas íntimas sentem tanta necessidade de ofender as mulheres, já a concorrente Duloren chamou o Bolsonaro para os seus anúncios. Mas a Bia diz:
Publicidade não é uma bobagem. É um meio de comunicação que age socialmente reforçando o status quo e gerando novas demandas de consumo.
Publicidade é propaganda. Vender um produto é apenas parte do seu trabalho. Convencer, disseminar ideias e crenças também faz parte do pacote.
Muito bom, Babi! Seria ótimo se mais pessoas se dessem conta disso e parassem de dizer que era só “para descontrair”. Abraço.