Todos chora
by Bárbara LopesEu comecei a ver o vídeo da Mônica Waldvogel, mas não consegui chegar até o fim. Rolou uma vergonha alheia à Kirsten Dunst.
Afinal, eu conheço um pouquinho de lingüística pra saber que o escândalo feito ao redor do livro foi uma bobagem; e conheço um pouquinho de literatura pra imaginar que o Marcelino Freire e o Cristovão Tezza não comprariam a ideia do “falar errado”. Eu me interessei pelo caso, li alguns textos, mas nem estava preparando uma pauta para um programa de televisão sobre isso. Como pode ser, então, que a Mônica Waldvogel tenha se submetido a um papelão desse tipo?
A primeira coisa que passa pela cabeça é duvidar da competência dos profissionais envolvidos. Mas, num segundo momento, isso não foi capaz de me convencer. Primeiro porque sei que há muitos bons profissionais na GloboNews. E também por outro motivo. Claro que o trabalho em televisão exige uma série de competências e habilidades. Mas também é estruturado para dar certo mesmo que uma das peças falhe. Existe pesquisa, pauta, produção, fichas para o apresentador, etc.
Descartei essa hipótese e continuei encafifada. Daí me lembrei da época em que trabalhava na Prefeitura, no projeto Telecentros, e acompanhei a transição da gestão Marta para a gestão Serra. Os Telecentros foram pensados como um mecanismo de inclusão digital e social. Não se tratava apenas de fornecer computadores para quem não os tinha. Mas de levar o mundo digital – e de carona o Estado – para comunidades nas regiões de menor IDH da cidade. Não era um serviço, era um programa social.
Isso estava bem documentado e foi apresentado para a equipe de transição. Mas logo em seguida os Telecentros foram elencados dentro da categoria de “serviços” no site da Prefeitura. Não porque discordassem da visão ou quisessem mudar. Mas simplesmente porque não entendiam como assim.
Quando a gente entende o mundo de um jeito, é muito difícil encaixar outras perspectivas. Não é questão de inteligência, mas de ideologia. Acho que foi o caso da Mônica Waldvogel. Ela simplesmente não estava preparada para um mundo onde certo e errado não existem dessa forma. É como de repente explicar para quem vê o Sol nascer e se pôr todos os dias que é a Terra que se move. “Ah vá! Isso é tucanar o movimento, né não? Confessa”.
E no entanto…